segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PMDB: AS FACES DA MESMA MOEDA

Por ANTONIO MASCARENHAS

Como essa legenda irá se posicionar nas eleições de 2010, na Bahia e na esfera nacional. Quais os desdobramentos diante da atitude de Gedel ao resolver confrontar o Governo Wagner, “menina dos olhos “do presidente Lula?


Ainda na fase pré-eleitoral o Ministro da Integração Nacional, Gedel Vieira Lima que, diga-se de passagem, vem fazendo um extraordinário trabalho a frente dessa pasta, principalmente, no tocante ao projeto de transposição das águas do Rio São Francisco e que tenciona levar perspectivas de vida às populações dos estados do Nordeste, castigados pela seca, lança candidatura ao Governo da Bahia, e, para tanto, entrega os 500 cargos que ostentava no Estado, dentre eles os de duas importantes pastas do governo Wagner, numa atitude que, para muitos foi vista como corajosa e, para outros, no mínimo, precipitada.





Vista com incômodo por parte do Governo Wagner, diante dessa situação, o chefe do executivo estadual procurou junto ao Presidente demonstrar sua natural insatisfação já que é mais do que natural a sua pretensão de permanência por mais quatro anos a frente dos destinos da Bahia. Esperava, naturalmente, que o presidente desse um ultimato a Gedel, colocando-o numa panela escaldante.



Só que, na prática isso não aconteceu e não vai acontecer porque ele sabe a força do PMDB no país e não iria colocar a candidatura de Dilma, que ainda não decolou, à beira do precipício. Por outro lado, no entanto, há especulações de que tudo isso não passa de um jogo de cena visando desestabilizar a candidatura de Paulo Souto que, ao alimentar a possibilidade de três candidaturas, graças ao fracionamento dos votos, poderia não apenas se imaginar no segundo turno como, mais além, contar com o apoio de Gedel que, a princípio, estaria torpedeando a administração do atual governador. Como Lula não é menino mostra, que por enquanto, os três dedos são importantes para sua estratégia. Sabe,perfeitamente, para quem segurará o guarda-chuva e que, na "bora da onça beber água" só um poderá ser apontado.


Reforçando essas especulações, o fato é que, pelo menos por enquanto, nos números apontados pelas pesquisas até então divulgadas, o Ministro figura na 3a. colocação nas  intenções de voto, o que não lhe garantiria uma passagem para o segundo turno, restando-lhe apoiar um dos outros candidatos: Wagner ou Paulo Souto. Acontece que, pelo andar da carruagem, pela cobrança de Lula, Gedel teria que apoiar Dilma no embate nacional, verticalizando seu apoio com direção a Wagner, decidindo as eleições na Bahia. Por outro lado, também se especula que, na hipótese de um deslanche significativo de Serra em todo o país, nada poderia impedir a tomada de posição do PMDB com relação ao apoio a Serra, também verticalizando na Bahia, em direção a Paulo Souto, mesmo porque, não é tradição do PMDB ficar fora do poder.


Diante de todo esse cenário, de tantas perspectivas, não resta dúvidas de que,embora criticado por muitos e respeitado por tantos outros, o ministro Gedel, focado, aprendeu fazer política partidária no sentido de conquistar lideranças que propiciam ao seu partido, a ostentação de uma importante fatia no processo eleitoral e essa tem sido a força de uma legenda que, em que pese casos como Renan Calheiros, José Sarney, perpetua influência em todo território nacional constituindo-se em força vetorial suficiente para oscilar o prato da balança nas eleições de 2010.


Nesse contexto, convenhamos, afora as especulações, a atitude de Gedel foi, no mínimo audaciosa. Se por um lado ele devolve tantos cargos em nome de um "projeto", sem certeza de sucesso, correndo o risco de perder correligionários, de outro, deixa nas entrelinhas, a possibilidade de interpretações que remetem à estratégias muito bem arquitetadas. Diante disso, queiram ou não os críticos de plantão, será o PMDB de Gedel, pelo menos na sucessão baiana, a chave propulsora para definição do pleito, podendo até acontecer o mesmo no âmbito nacional, ajudando nocautear o adversário que esteja cambaleando nas pesquisas.


Essas colocações, na verdade, robustecem a tese de que, em política partidária, o que pesa não é, infelizmente (e isso se aplica a todos os partidos), o hasteamento de bandeiras impregnadas de ideologias utópicas mas, sobretudo, a capacidade de congregar em torno de si o maior número possível de correligionários. Só que, para tanto, a capacidade de liderança é, sem sombra de dúvidas, a mola propulsora para a cristalização de um projeto duradouro e de resultados efetivos e nem todos tem a primazia de exercê-la com maestria.
Fotos e charges: Google Imagens



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