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sábado, 24 de janeiro de 2015

Amargosa: Saúde em crise

O município de Amargosa já foi em seus tempos áureos, uma das cidades da região com um dos melhores indicadores na área da saúde.
Há aproximadamente 3 anos atrás, vários meios de comunicação e jornais da região, destacavam a magnitude da situação da saúde em Amargosa. Os relatos de outrora comprovam tal afirmação. Vejamos.
Segundo o ministério da saúde, o Índice de Desempenho do SUS (IDSUS) é um indicador síntese, que faz uma aferição contextualizada do desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto ao acesso (potencial ou obtido) e à efetividade da Atenção Básica, das Atenções Ambulatorial e Hospitalar e das Urgências e Emergências.
A partir da análise e do cruzamento de uma série de indicadores simples e compostos, o IDSUS avalia o Sistema Único de Saúde que atende aos residentes nos municípios, regiões de saúde, estados, regiões, bem como em todo o país.
Nesta avaliação, o município de Amargosa destacou-se em 2012 por ter apresentado índice superior ao da Região de Saúde em que se encontra que é a de Santo Antônio de Jesus, como também ao do Estado e do Brasil. Vale ressaltar que segundo a ANS 98% da população aqui residente é SUS dependente.

IDSUS do município: 5.58

Região de saúde: Santo Antônio de Jesus »
IDSUS Região de saúde: 5.55
IDSUS Estado: 5.38
IDSUS Brasil: 5.46

Quando este levantamento é feito entre os municípios com gestão plena na Bahia, que são 34 municípios, Amargosa ficava em 12º no ID SUS, caindo para 15º no acesso e subindo para 7º quando comparado no que se refere à efetividade. (2012)*

*Esses dados apresentados foram do ano de 2012.

Agora voltemos o nosso olhar para a situação atual em que se encontra a saúde em Amargosa.

A atual gestão afirma veementemente que a situação é caótica na saúde do município, e que todo o demérito se deve pelo não repasse de verbas do Governo Estadual. Ressalta ainda, que caso a situação não se regularize, quem sofrerá as penalidades será a população amargosense.

Em contrapartida e totalmente arbitrária à situação explanada pela gestão de Amargosa e seu secretariado, vemos explicitadas as licitações solicitadas pela prefeitura de Amargosa, na qual aparecem gastos exorbitantes com materiais de saúde, e também os repasses do ano de 2014 que foram maiores do que os do ano de 2013 para a saúde.

Pesquisas no site do Fundo Nacional de Saúde constataram que houve um acréscimo em 2014 de R$ 331.042,71 nos repasses no Ministério da Saúde em relação a 2013, totalizando no referido ano o valor de R$ 8.072.923,71.

No Diário Oficial do Município do dia 07/01/2015 consta que a Prefeitura assinou os contratos 92 a 97/2014 datados do dia 15/12/2014 e 99 e 100/2014 datados de 19/12/2014 no valor global de R$ 3.134.535,72 (três milhões, cento e trinta e quatro mil, quinhentos e trinta e cinco reais e setenta e dois centavos), referente à compra de medicamentos e material de penso. Além destes valores, representarem 38,83% de todo o repasse do Governo Federal em 2014, foram encontrados quantidades, valores e produtos injustificáveis para o volume da receita e a população de Amargosa.

Entre os itens encontrados, verificaram-se contratos para compras de:

2.100 comprimidos de Misoprostol (Cytotec) no valor total de R$ 35.105,70;

636.000 seringas descartáveis no valor de R$ 100.000,00;

2.000.000 Lancetas para punção capilar digital no valor de R$ 106.400,00;

7.200 rolos/pct de Lençol descartável no valor de R$ 49.698,00;

75.000 ampolas de água para injeção de 10 ml no valor de R$ 13.290,00.

Como a população vem, constantemente denunciando a falta de medicamentos e material de penso no hospital e nos postos de saúde, fica claro que existe uma manobra de envolver a sociedade organizada com a justificativa de atraso no repasse dos recursos, para esconder e tentar justificar a péssima gestão dos recursos da Saúde. Além de apresentarem indícios claros de compras de produtos fora da realidade da necessidade do município, indicando inclusive beneficiamento das empresas vencedoras das referidas licitações.

Como apurar e explicar gastos como esses, com valores astronômicos apresentados em licitação, quando a gestão afirma não ter verbas para regularizar a situação da saúde no município?

Dois anos de gestão se passaram, e muitos filhos de filhos da terra ainda não nascem em Amargosa, no aguardo da Casa de Parto, promessa de campanha feita pela atual gestora.

E de quem é a culpa? Quem vai arcar com as responsabilidades? De fato, a gestora acertou quando diz que será a população, pois de fato, esta é a que mais sofre. Mas no âmbito político, não se pode passar uma gestão inteira procurando culpa nos gestores anteriores, encarregados de um escalão mais alto ou esperar por um milagre.

A população clama por respostas e soluções. A saúde está morrendo.
Da redação do Amargosa Notícias

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