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sábado, 2 de agosto de 2014

O "espetáculo" continua...! Walas Circo Show enfrenta, no Loteamento Sales, em S.A. de Jesus, as mesmas dificuldades que soterram as manifestações culturais

Por ANTONIO MASCARENHAS
Incluindo em sua trajetória de apresentações a comunidade do Loteamento Sales, em Santo Antonio de Jesus, o Walas Circo Show chegou ao município no intuito de, como o faz em todas suas apresentações, divertimento aos espectadores. Mas, na verdade, toda essa maratona não tem sido fácil para esse representante das "artes mutantes" que se insere no rol do grupo de pequenos circos que, em meio a tantas dificuldades, "continuam na estrada". Integrando a remanescência de circos de pequeno porte, o grupo vem peregrinando de município em município, sempre enfrentando preconceito e, mais que isso, falta de apoio por parte do poder público municipal, em diversos rincões do Estado. 
Veículos em péssimo estado de conservação, lona necessitando de reparos ou substituição, picadeiro pequeno, cadeiras em pequeno número e necessitando de reformas, arquibancadas confeccionadas com tábuas, dificuldades para alojamento, locais (muitas vezes) lúgubres, para instalação de suas tendas, entre as dificuldades que têm tido no dia a dia para a realização  de suas apresentações.
Além dessas dificuldades logístico-operacionais, eles têm que, no dia a dia, acumular diversas funções no grupo, atuando simultaneamente como palhaços, equilibristas, mágicos, malabaristas, etc. Na foto (da esquerda para a direita), 1-Nitalys (10 voltas da morte, arame bambo e malabares: 2-Gilma Gabrielle (dançarina, "sparring" para lança facas e bilheteria; 3-Walas Martinelli (trapezista, equilibrista, palhaço e malabares; 4-Bira canário (palhaço, trapézio, duble trapézi; 5-Júlio Cézar, "cospe fogo", anda em cima de vidros, deita em cama infernal. Segundo seu proprietário, Walas, um dos maiores entraves que tem encontrado diz respeito às altas taxas de impostos municipais cobrados em cada município, já que as arrecadações auferidas são sempre pequenas.
Argumenta, também, que, infelizmente, as Secretarias de Cultura na maioria dos municípios não oferecem o apoio mínimo necessário e que não foi diferente em Santo Antonio de Jesus. 
É, indubitavelmente, uma dura realidade. O circo que surgiu na Inglaterra em 1778, chegou ao Brasil em 1919, quando se praticava o tradicional "circo de cavalinho". Posteriormente, foi se adaptando às regionalidades do país, no momento em que, durante as maratonas, foram incorporando nunces culturais de cada região. dentre os palhaços famosos, Carequinha, Arredio, Torresmo. Espetáculos circenses marcaram as vidas de milhares de pessoas em todo o país. Hoje, infelizmente, diante da massificação cultural, protagonizada pela internet e mídia televisiva, os circos foram entrando em paulatina decadência. Ainda existem grandes circos, nos grandes centros. Todavia, os de pequeno porte foram desaparecendo. O Walas em que pese tantas dificuldades, continua na estrada. E por que fizemos essa matéria? Justamente para esboçar esse olhar de saudosismo e, ao meso tempo, de preocupação com o paulatino desaparecimento da cultura que brota do seio de nossa gente, por falta de incentivo. 
Fotos Antonio Mascarenhas (www.tvsaj.com).

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