PÁGINAS

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Lagoa do Abaeté tem cinco pessoas assaltadas em um dia

Moradores e comerciantes se queixam dos frequentes assaltos na Lagoa do Abaeté. Só ontem, a polícia registrou cinco casos nas dunas do Parque. À tarde, a segurança foi reforçada (Foto: Robson Mendes)
Na música A Lenda do Abaeté, Caymmi diz que quem vai lá “vai se benzendo”, com medo das lendas da Lagoa. A dica continua valendo, mas o problema agora não é sobrenatural. No domingo, um rapaz que não quis se identificar foi assaltado por três homens armados com revólver que levaram celular e tênis. A carteira, que estava sem dinheiro, foi devolvida. Só ontem, cinco foram roubados.
Após denúncias, a equipe do CORREIO foi ao Abaeté conversar com comerciantes e moradores. Além do rapaz, outras quatro pessoas – dois casais formados por brasileiros e turistas italianos – tiveram celulares, cartões e relógios levados por quatro homens, armados com revólver e faca, minutos depois do CORREIO ir embora. Os roubos foram registradas na 12ª Delegacia Territorial (DT), em Itapuã. 
No sábado, por volta das 15h, uma japonesa teve a máquina fotográfica roubada. Ela foi surpreendida por um homem que sacou o revólver de dentro de um saco de latinhas. Segundo testemunhas, a mulher registrou o caso na Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur). “O Abaeté está totalmente abandonado. A segurança não dá conta. Minha vida e a de qualquer cidadão que sai de casa está em risco”, indignou-se uma das vítimas. “Todos os dias tem assalto no Abaeté, mas o fim de semana é campeão”, afirmou um policial da 12ª DT. 
Policiais militares que estavam no local afirmaram que o acesso às dunas, onde ocorrem os crimes, é difícil e só pode ser feito pela Polícia Militar Montada. “De segunda a sexta tem assalto, mas eles são frequentes no fim de semana porque a polícia montada some”, disse uma comerciante. 
Integrante do grupo ecológico Nativo de Itapuã, Antonio Miguel, 58, trabalha há 35 anos na Lagoa e vê pelo menos cinco assaltos por dia. Seu quiosque de coco e caldo de cana já foi arrombado três vezes em julho. “Toda a magia e o turismo foram embora. O Abaeté está agonizando. Não tenho mais coragem de ficar aqui”, lamenta. 
Depois da visita da equipe do CORREIO, mais policiais apareceram (Foto: Robson Mendes)
Em nota, a Polícia Militar afirmou que “o policiamento na Lagoa do Abaeté e imediações é realizado pela 15ª CIPM/Itapuã. (...) Os PMs atuam em viaturas quatro rodas, patrulhamento com um trio de policiais montados e patrulhamento a pé, também é reforçado o policiamento a partir das 17h até 23h”. Segundo o capitão da PM Alexandre Messias, o policiamento montado opera de 8h às 19h. A população pode contribuir denunciando o local exato onde acontecem os assaltos. 
“As pessoas às vezes procuram se distanciar do policiamento para passear, tirar foto e isso facilita [o crime]. Essas pessoas devem nos procurar”, reforçou. Denúncias anônimas podem ser feitas no Disque Denúncia (3235-0000), pelo site da PM pm.ba.gov.br ou pelo 0800-284-001. 
Poluição
O abandono vai além da falta de segurança, reclamam os comerciantes e moradores. Faltam também iluminação e manutenção das pedras portuguesas, que estão com buracos. Outro problema é a proliferação da planta baronesa na beira da Lagoa, apontada como responsável por mau cheiro. 
Segundo o diretor-presidente da Universidade Livre das Dunas e Restinga de Salvador (Unidunas), Jorge Santana, a planta se alimenta de fezes e indica poluição. “A Baronesa indica que algo está sendo jogado na Lagoa. É necessário encontrar o esgoto, neutralizar e fazer a limpeza. Se a vegetação cobre tudo, o oxigênio acaba, os peixes morrem e pode acabar com a Lagoa do Abaeté”, explica Jorge Santana. 
A Unidunas toma conta do Parque das Dunas e estuda o ecossistema do Abaeté. “São doze Lagoas perenes e a única que está apresentando esses problemas é o Abaeté. Lá é uma administração do Governo do Estado, então não podemos interferir”, diz o diretor-presidente da Unidunas. O CORREIO tentou contato com o gestor do Governo do Estado que administra a Lagoa do Abaeté, mas não teve sucesso. Coreio da Bahia

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