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quinta-feira, 24 de julho de 2014

IDH: Com desigualdade, Brasil tem queda de 27% em índice de qualidade de vida



O mundo tem hoje 2,2 bilhões de pessoas pobres ou no limiar da pobreza
Foto: Marcos Tristão / Marcos TristãoRIO e BRASÍLIA - A desigualdade — que entrou na agenda econômica global este ano após o sucesso de vendas do livro “O Capital no Século XXI” do economista francês Thomas Piketty — prejudica, e muito, o desenvolvimento humano dos países. Apesar de o IDH considerar os parâmetros médios da vida nos diferentes países avaliados (ou seja, sem levar em conta as diferenças entre ricos e pobres), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) calcula um IDH ajustado pela desigualdade. E, em muitos casos, há uma piora na avaliação dos países.
No caso do Brasil, apesar de o relatório do Pnud destacar os avanços do país com os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, a desigualdade ainda é enorme. Quando se considera a disparidade entre ricos e pobres, o IDH do Brasil é reduzido em 27% e o país despenca 16 posições no ranking global.
Quando ajustado pela desigualdade, os Estados Unidos, que têm o quinto maior IDH entre os países pesquisados, registram uma perda de 23 posições no ranking, com recuo de 17,4% no seu índice. O Reino Unido que também está no grupo de países de muito alto desenvolvimento humano recua 8,9% no seu índice e perde quatro posições.

O conceito de IDH ajustado pela desigualdade foi introduzido em 2010. A maior perda ocorre na África Subsaariana (34%), seguida pelo sul da Ásia (29%), pelos Estados árabes (26%) e pela América Latina e Caribe (24,5%). A perda é menor na Europa e na Ásia Central (13%). Países como México e Colômbia mostraram reduções devido à desigualdade de 22,9% e 26,7%, respectivamente. No caso da Índia, houve recuo de 28,6% no índice.

O Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade foi calculado para 145 países. A média de perda de desenvolvimento humano devido à desigualdade foi de 22,9%, variando de 5,5% (no caso da Finlândia) a 44% (no caso de Angola). A população da África subsaariana sofre as maiores perdas, seguida pelo Sul do Ásia e por América Latina e Caribe.

A relatório enfatiza que a continuidade da desigualdade crônica restringe o progresso social. As disparidades em termos de renda, riqueza, educação, saúde e outras dimensões persistem no mundo e reduzem ainda a capacidade de recuperação após choques.

MUNDO TEM 2,2 BILHÕES DE POBRES

O relatório do Pnud deste ano trata do desenvolvimento sustentável e de como manter os ganhos de qualidade de vida incorporados nos últimos anos por meio da redução de vulnerabilidades. O mundo tem hoje 2,2 bilhões de pessoas pobres ou no limiar da pobreza. Segundo o relatório, 1,2 bilhão de pessoas vivem com US$ 1,25 ou menos por dia. No entanto, quando se considera o conceito de pobreza multidimensional (que inclui também a qualidade de vida e não apenas a renda), esse número sobe para 1,5 bilhão.Globo

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