PÁGINAS

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Derrota do Brasil: a culpa não é apenas de Felipão

Por ANTONIO MASCARENHAS
É natural que, depois de um revés dessa magnitude (Brasil 1 X 7 Alemanha), a busca dos culpados. A impiedosa derrota do Brasil, jogando em casa, não deixa de ser traumática para a história de um país heptacampeão mundial de futebol. Não devemos culpar, apenas o Felipão que, por teimosia não procurou colocar em campo uma equipe mais precavida, com três volantes, sabendo que no âmago da seleção alemã, vários jogadores do Bayer de Munique, equipe campeã nacional e que tem no toque refinado da bola, assimilado, principalmente, com a chegada do ex-técnico do Barcelona, Guardiola, seu grande trunfo nas quatro linhas e que, na seleção, contribuem para melhor entrosamento. Também não devemos  culpar um técnico que, em que pese ter feito uma bisonha campanha a frente do Palmeiras, foi escolhido para substituir Mano Menezes. 
Por outro lado, não devemos culpar o atacante Fred pela péssima participação nesse mundial. Ele que já vinha sendo questionado, principalmente, pela torcida de sua equipe, o Fluminense. Assim como não devemos criticar o franzino Bernard pela pretensa (na opinião de Felipão) "alegria nas pernas", nem o Dante pela lentidão e falta de "time" na marcação dos atacantes alemães. Entretanto, devemos criticar o técnico por tentar tapar o sol com a peneira, escalando esses jogadores quando deveria, primeiro, efetuar um cinturão na entrada da área para, a partir daí, enveredar-se ao ataque. 
Erros à parte, fica aí a dolorosa lição. Pior do que o "maracanazo", o "mineirazo" marcará, durante décadas uma página negra na história do futebol brasileiro e mundial. Não apenas pela derrota. Não apenas pelo humilhante e elástico placar mas, sem sombra de dúvida, pela demonstração de incompetência da CBF ao entregar à seleção a dois "técnicos' , Felipão e Parreira, superados e detentores de pseudo-conhecimentos esportivos. Desde o jogo contra a Croácia a fragilidade da Seleção já dava sinais de instabilidade emocional. Convenhamos que é muito pouco para um selecionado condicionar a apenas um jogador (Neymar) a responsabilidade de sucesso numa competição dessa magnitude. 
O importante é que o mundo não acabou e que podemos tirar lições disso tudo. Torna-se imperativo que  esbocemos olhares a outras atividades ao invés de ficarmos extasiados diante de pseudo-ídolos. Essa alienação, esse cultivo exacerbado acaba trucidando nosso existencialismo. Reputamos a necessidade de dosagem entre razão e emoção. O exercício da razão de forma exacerbada, leva-nos ao ostracismo, ao enclausuramento ideológico. Por outro lado, a prática da emoção em excesso, leva-nos  ao ilusionismo existencial. Portanto, é de vital importância que saibamos controlar nossas emoções, consubstanciados na plenitude que brota do senso comum e que se referenda na essência do existencialismo: a humildade.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário