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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Espera de 10 anos para mudar de sexo revolta jovem: 'Meu sonho'

Yago faz tratamento psicológico e aguarda por cirurgia (Foto: Divulgação/ Facebook)Um morador de Itanhaém, no litoral de São Paulo, tem travado uma batalha para conseguir realizar um sonho. Yago Fernandes Conrado, de 21 anos, que atualmente trabalha como auxiliar de serviços gerais, entrou em um processo para conseguir uma cirurgia de mudança de sexo. Mas a espera para que o seu desejo seja realizado pode ser longa e durar até 10 anos.Segundo Yago, que há três anos faz tratamento de acompanhamento psicológico no Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids, no bairro Vila Mariana, na capital paulista, não há uma previsão de data para que a cirurgia seja feita. “Eu fui chamado para fazer o trabalho psicológico em 2011 e, desde então, tenho esperado a hora de fazer a cirurgia. Mas lá já me falaram que pode demorar 10 anos. É muito tempo e acredito que essa demora não pode ser tão longa. Não sei quem pode me ajudar, mas já soube de outros casos que foram resolvidos mais rapidamente. 
Auxiliar de serviços gerais diz que já se sente como uma mulher (Foto: Divulgação/ Facebook)Quero realizar o meu sonho”, afirma.Em um relacionamento estável há três anos, o auxiliar de serviços gerais conta que, desde a infância, já tinha a sua sexualidade bem definida. “Sempre desenvolvi a minha feminilidade. Desde os sete anos me sinto como uma mulher, mas só fui procurar tratamento recentemente. A gente sempre tem um pouco de receio, por causa do preconceito. Mas sempre contei com o apoio da minha mãe, que já morreu. Ela era tudo para mim, sempre me acompanhava e, inclusive, ia ao médico comigo. Desde então, travo essa luta e não pretendo desistir”, destaca.

Perguntado se a sua condição lhe prejudica no mercado de trabalho, Yago confirma que já enfrentou algumas situações constrangedoras em entrevistas de emprego. “Sofro direto. Isso acontece muitas vezes, acaba sendo um problema recorrente. Quando vou procurar emprego, eu me visto de mulher, mas por conta do meu nome, querem que eu me vista como homem. Eles dizem que não tem como, que eu não posso entrar vestido de mulher. Esse é o preço que exigem, mas que eu não tenho condições de pagar. Me sinto uma mulher e não vou mudar quem eu sou por causa de preconceito”, diz.Sem uma solução, por enquanto, para o seu problema, o jovem espera por ajuda, para que o seu caso possa ser resolvido bem antes do prazo dado pelo hospital. “Eu tenho que ter paciência, infelizmente. Mas estou lutando pelos os meus direitos. É um absurdo aguardar tanto tempo para realizar a cirurgia de mudança de sexo. Na realidade, era para eu estar próximo disso. Seriam três, quatro anos de espera, porque a gente precisa sempre passar por um acompanhamento psicológico. Espero que alguém possa se sensibilizar com a minha luta e que eu consiga concretizar o meu sonho”, conclui.

O Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids, por meio de nota da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, informa que todos os pacientes passam por acompanhamento multiprofissional com psicólogos, psiquiatras, clínicos, entre outros, que prestam assistência aos pacientes com base em portaria referente ao processo trans-sexualizador do SUS. É necessário passar por atendimento com essa equipe multiprofissional por dois anos, no mínimo, para encaminhamento para cirurgia, e aguardar o agendamento do procedimento.G1

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