domingo, 11 de maio de 2014

‘Se Dilma continuar caindo, fortalece tese contra a aliança com o PT’, afirma deputado do PMDB

De acordo com o deputado federal e vice-líder do PMDB na Câmara, Lúcio Vieira Lima (BA), as últimas pesquisas de opinião fortalecem, no partido, a tese que defende o fim da aliança nacional com o PT, nestas eleições.
O cenário favoreceria o próprio grupo de Vieira Lima, que é bem próximo ao líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e aliado do pré-candidato ao governo da Bahia pelo DEM, Paulo Souto.
Vieira Lima garante, porém, que a presidente Dilma Rousseff “está pouco se importando com os palanques, o que ela quer mesmo é o tempo de TV”, que depende da convenção do partido, prevista para o dia 10 de junho.
Já sobre a CPI da Petrobras – para o qual Vieira Lima anda sendo cotado como relator, nos bastidores – o deputado garante que não há Copa do Mundo, recesso ou eleições que atrapalhem as investigações caso haja ”fatos graves e o povo vá em cima”.

Poder Online: Como está a articulação para a composição da CPI mista sobre a Petrobras?
Deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA): A CPI só vai ser instalada daqui a uns 15, 20 dias, então ainda não teve uma conversa. Mas a base governista que tem ampla maioria deverá fazer o presidente e o relator. O PMDB indicou o nome do senador Vital do Rêgo para presidir a CPI do Senado. Se prevalecer a CPI mista, é natural que o senador a presida. Já a relatoria deve ficar com um deputado do PT.

Qual será a influência das eleições na CPI? Elas devem politizar mais o espaço ou o período de campanha pode esvaziar a investigação?
O que vai dar o rumo da CPI vai ser, na verdade, os fatos. A imprensa e a pressão da opinião pública têm um papel fundamental nisso. Mas se tiverem fatos graves e o povo for em cima, aí não tem Copa do Mundo, não tem recesso, não tem ano eleitoral, não tem nada que impeça o andamento da investigação. A CPI tem pernas próprias. Você querer gritar, querer que ela não ande, mas os fatos atropelam e ela termina andando. Também pode querer que ande muito, mas se não tem fatos, não tem como andar.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), recentemente afirmou que será um parceiro do governo, após reunião com a presidente Dilma Rousseff. A tendência é que o PMDB seja mesmo um aliado do PT durante a CPI?
Bom, primeiro que o Eduardo Cunha é o porta-voz da bancada. Segundo, como eu já disse, você tem que aguardar para ver quais os fatos que vão ocorrer. Você se lembra que na CPI do Collor foi um fio de …. se não houvesse esse elo, talvez não houvesse impeachment. Se aparecer um fato grave, concreto, que incrimine… não tem como um partido político – por mais desejoso que esteja de agradar ao governo – não se posicionar. Acho que os deputados têm que ir lá com espírito de juiz. Temos que trabalhar para que os fatos apareçam.

Agora, sobre a relação política entre a bancada do PMDB e o governo, de uma forma geral. Existe uma tendência de esvaziamento do chamado Blocão e de reaproximação?
Olha, a bancada do PMDB se declarou independente e isso foi externado pelo líder Eduardo Cunha. Não é porque vai haver uma CPI que vai haver uma reaproximação. Se não, a gente vai passar ideia de um partido fisiológico, que a nossa bancada sempre quis evitar. Vão dizer que o partido está se aproveitando da CPI para tirar vantagem do governo. Essa lógica da disputa por cargos, que implicaria num compromisso do partido em votar com algo que contraria o voto dos parlamentares. Foi por isso que se abriu mão de indicar o Ministério da Agricultura e o Ministério do Turismo, pra ficar claro à sociedade.

E, no plano nacional, quando que o PMDB decidirá se sai ou não com a Dilma, para a reeleição?
Na próxima quarta-feira teremos uma reunião, da bancada com a Executiva Nacional do Partido e presidentes dos diretórios regionais para discutir o momento político. A ideia é reunir muitos deputados que estão se sentindo pouco ouvidos, nesse processo. Aí, vamos ter a convenção, que já está marcada e para o dia 10 de junho. Já temos estados que decidiram apoiar a Dilma, outros o Aécio ou o Eduardo. Nacionalmente, a convenção é soberana. Vai ser colocado em voto: você é a favor ou contra aliança com o PT? Apurados os votos, vamos saber.

O senhor adiantaria um palpite?
Ninguém pode dizer. Você tem muitos problemas para serem resolvidos e para serem complicadores. Mas você não pode negar que as pesquisas de opinião vão influenciar nesse cenário da decisão. Se a presidente Dilma continuar caindo, isso fortalece automaticamente a tese de quem é contra a aliança com o PT.

E favorece a aproximação com o PSDB?
Não, não. Na convenção não cabe discutir aliança com o PSDB ou o PSB. Estamos muito em cima do prazo final. Só temos duas opções: aliança com o PT ou não-aliança e liberação do partido. Agora, os estados já estão liberados, de acordo com a conveniência de cada um. Até porque o PMDB não tem um projeto nacional, de presidência,então a força do partido é colaborativa, de fazer uma bancada numerosa de senadores e deputados que nos permita influenciar nas políticas públicas.

Falando nas alianças locais, como está a decisão sobre a aliança no Rio de Janeiro? A aliança com o Aécio Neves (PSDB-SP) está confirmada?
Sim, sim. Veja bem, o PMDB como instituição partidária, com a sua direção, já anunciou o apoio ao Aécio Neves. Mas você tem o candidato Pezão e o ex-governador Sérgio Cabral que vão abrir o palanque para a Dilma. É uma situação difícil, mas a disputa na verdade é pelo tempo de TV, que são quase dois minutos. Isso quem vai definir é a convenção nacional. A presidente já sinalizou claramente que está pouco se importando com os palanques, o que ela quer é o tempo de TV – que ela vai ter se a maioria do partido defender a aliança nacional.

Se a aliança nacional for confirmada, o vice-presidente Michel Temer continuará na chapa?
Isso sem dúvidas, o nome do Michel Temer não está em discussão. Fonte IG. Inserção de foto 1,Tvsaj

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