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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Fabricantes reduzem consumo de água para minimizar escassez

Com o nível crítico de reservatórios de água em algumas regiões do Brasil – entre elas, o Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo –, medidas para aumentar a economia de água têm sido uma necessidade para empresas de diferentes setores. 

De acordo com pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) divulgada em março, o setor têxtil reduziu em 90% o consumo de água na produção nos últimos dez anos. Dos 100 litros que eram utilizados para fabricar um quilograma de tecido, agora são necessários apenas 10. Além dessa redução, a água é reutilizada pela fábrica em outras áreas.“Na indústria têxtil e de confecção, os custos com água e energia elétrica são muito relevantes. Logo, tivemos de nos adaptar a uma realidade mundial, que engloba alterações no processo produtivo, questões econômicas e ambientais”, explica Rafael Cervone, presidente da Abit.

Usado como uma alternativa pró-ambiental no mercado de química têxtil, o sistema Dye Clean consiste em tingir fibras celulósicas com corantes reativos, reaproveitando a água dos banhos e diminuindo a quantidade de sal e insumos químicos durante o processo.
Outro método é o de membranas de ultra filtração, que visa aumentar a capacidade de reuso da água e eficiência no tratamento dos efluentes (despejo líquido proveniente do uso industrial).
Milhões de litros de água a menos
A Blanver, produtora de matérias-primas para a indústria farmacêutica e alimentícia, tem um trabalho contínuo para reduzir o consumo de água por quilograma do produto, segundo Alexandre Fragioni, vice-presidente nacional da empresa. 
“Quando você trabalha com a indústria farmacêutica, o grau de pureza tem de ser altíssimo. Com isso, precisamos de um volume de água muito alto”, conta Fragioni.
Em 2009, o processo de produção começou a ser modificado, o que apresentou uma redução de 25% do consumo. Hoje, a Blanver economiza cerca de 100 milhões de litros de água por quilograma de insumo produzido, com uma redução nos gastos com o líquido em torno de R$ 150 mil.
Além da redução do consumo, a empresa com unidades em Taboão da Serra e Itapevi – ambas na Grande São Paulo – reutiliza a água dos sistemas de tratamento para fazer uso em descargas, limpeza de piso e irrigação de plantas.
No caso da Saint-Gobain Canalização, unidade do grupo Sain-Gobain, multinacional que atua nos mercados de produtos para construção, vidros, abrasivos, cerâmicas industriais, tubulações e canalização, a redução do consumo de água começou entre 2000 e 2002.
Localizada em Barra Mansa (RJ), a Saint Gobain Canalização – unidade responsável pela produção sistemas para o ciclo completo da água, utilizado em redes de adução, distribuição de água e transporte de esgoto – é cercada pelo rio Paraíba do Sul, principal fonte de abastecimento da cidade. Por esse motivo, teve de se adaptar para que o local não sofresse tanto com a atuação da indústria.
Volume baixo
Pouca água. No sistema Cantareira, em São Paulo, situação dos reservatórios é crítica
De acordo com Tatiana Ferreira, coordenadora de Promoção e Comunicação da Saint-Gobain Canalização, o investimento foi alto, com a inclusão da troca de maquinário e especialização do funcionários.
Assim, o gasto de água foi reduzido de 900 metros cúbicos de água por hora para 150 metros cúbicos. Uma redução de cerca de 750 mil litros a cada 60 minutos.
A produção não foi alterada, mas o número de funcionários especializados aumentou, segundo a coordenadora.
Outro caso é o do Grupo Amazonas, produtor de componentes para a indústria de calçados. Na unidade de Franca (SP), foi adotado um programa de redução no desperdício de água potável, com a correção em pontos críticos da área fabril e uma queda de até 30% nos gastos com consumo de água.
Como o resfriamento da água funciona em um circuito fechado, o mesmo conteúdo que resfria as máquinas retorna para o reservatório e pode ser utilizado novamente. Um projeto ainda em análise tem como objetivo a captação da chuva para reaproveitamento na área de limpeza e outros fins não potáveis.

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