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domingo, 6 de abril de 2014

"Estoque de automóveis no país é o maior desde 2008" - A saída é reduzir o IPI

Alta dos juros e volta do IPI estão fazendo com que vendas caiam no mercado interno. Montadoras já adotam medidas de corte de produção
Automóveis: Vendas estão caindo tanto no mercado interno quanto no externo (Ernesto Rodrigues/AE)
O estoque de veículos novos nas fábricas e revendas atingiu em março o equivalente a 48 dias de vendas, a mais alta média desde novembro de 2008, no auge da crise financeira internacional, quando o crédito secou nos bancos. Em unidades, os estoques subiram para 387 100 veículos, em comparação a 348 900 em fevereiro, o equivalente a 37 dias de vendas. O encalhe é 60% maior do que o total de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus vendidos em março, que somou 240 800 unidades.
As vendas estão caindo no mercado interno, devido à alta dos juros e da volta do IPI, e no mercado externo, com os problemas de exportação para a Argentina.
Para reduzir os estoques, grande parte das montadoras adotou medidas de corte de produção, como férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho, redução de turnos e até abertura de Programa de Demissão Voluntária (PDV) — caso da Mercedes-Benz, na área de caminhões.
O mercado de caminhões é um dos mais afetados pela queda de vendas no Brasil e nas exportações para a Argentina. A Mercedes diz ter 2 000 funcionários excedentes na fábrica de São Bernardo do Campo, onde emprega 12 000 pessoas. O excesso de pessoal, diz a empresa, vem desde 2012 e se intensificou nos últimos meses.
Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, as empresas terão "de buscar medidas para redução dos estoques". Além das paradas de produção, ele diz que há ações de vendas, como uma parceria com a Caixa Econômica Federal em um feirão de carros com condições especiais de crédito. Um possível pedido ao governo para adiar o último aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previsto para julho "ainda não foi discutido", diz Moan, mas, segundo executivos do setor, não está descartado.
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(Com Estadão Conteúdo). VEJA

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