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terça-feira, 25 de março de 2014

Alto nível de stress dobra o risco de infertilidade, diz pesquisa

O stress é um das causas relacionadas à dificuldade para engravidar, mas essa relação nunca havia sido quantificada. Um estudo divulgado pelo jornal Human Reproduction mostrou que mulheres com altos níveis da enzima alfa amilase (um indicador biológico do stress encontrado na saliva) têm 29% menos chance de engravidar a cada mês e duas vezes mais chance de serem consideradas inférteis (quando há a ausência de concepção depois de 12 meses de relações sem contracepção), comparadas a mulheres com menores níveis dessa enzima.

Para a pesquisa, os cientistas recrutaram 501 participantes em idades entre 18 e 40 anos que estavam tentando engravidar e não tinham nenhum problema ligado à fertilidade. Eles acompanharam as voluntárias por doze meses ou até elas engravidarem. Amostras de saliva foram coletadas no começo da pesquisa e no primeiro dia do primeiro ciclo menstrual, e usadas para medir a taxa de alfa amilase e cortisol, hormônio relacionado ao stress.
"Esse é o segundo estudo que demonstrou que mulheres com altos níveis de biomarcadores de stress, como o alfa amilase, têm menor probabilidade de engravidar, comparadas àquelas com baixos níveis da enzima. Pela primeira vez, nós mostramos que esse efeito é clinicamente significativo e pode dobrar o risco de infertilidade", explica Courtney Denning-Johnson Lynch, líder do estudo e diretora da epidemiologia reprodutiva da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos.
Os resultados da pesquisa podem encorajar as mulheres com dificuldades em engravidar a prestar atenção ao seu nível de stress e, se necessário, utilizar técnicas para se acalmar, como a ioga e a meditação. Os cientistas ressaltam que os casais não podem se culpar pela dificuldade em engravidar, já que o stress não é o único fator que dificulta a concepção.

Dentre os fatores ovulatórios que dificultam a gravidez, a síndrome é a mais recorrente — acomete cerca de 10% de todas as mulheres e 75% das inférteis. A doença causa cólicas, menstruação irregular, pele oleosa, acne e obesidade. Ela é caracterizada pela falta de ovulação e pelo excesso de hormônios masculinos, como a testosterona. "Para quem tem a síndrome e quer engravidar, o tratamento é feito com medicações indutoras da ovulação", explica o ginecologista Eduardo Motta, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e sócio-diretor do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva.

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