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sábado, 11 de janeiro de 2014

Torcedor da Lusa, advogado celebra liminar: 'Gritei como se fosse um gol'

Em ação na Justiça comum, Daniel Neves obteve vitória provisória que mantém a Portuguesa na Série A: 'Vou torcer e trabalhar muito para que a decisão seja mantida'

A despeito de vestir roupa social e ainda sofrer com dores causadas pelo rompimento do ligamento cruzado do joelho direito, Daniel Neves conseguiu marcar um gol a favor da Portuguesa. Advogado, o torcedor da Lusa obteve na sexta-feira uma liminar na 42ª vara cível de São Paulo que obriga a CBF a manter o clube na Série A do Campeonato Brasileiro, revertendo decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) que tirou quatro pontos da Portuguesa por conta da escalação irregular do meia Héverton na última rodada da competição nacional.

– Antes de ver a decisão do juiz, eu senti a perna um pouco bamba, como se eu fosse bater um pênalti. Quando eu abri o resultado, pela internet, e vi que o juiz tinha concedido a liminar, eu gritei como se fosse um gol. Eu tenho um filhinho de 4 anos, o Joaquim, que vai comigo no Canindé, e me viu gritando e perguntou o que estava acontecendo. Eu falei que era por causa da Portuguesa e ele perguntou quando estava o jogo. Eu disse que nós estávamos ganhando, que estava 1 a 0 para a Portuguesa – conta Daniel Neves.
O advogado, que participou da edição deste sábado do Globo Esporte (veja o vídeo), sabe que a partida está apenas começando. A Confederação Brasileira de Futebol tem dez dias para recorrer da decisão do juiz Marcello do Amaral Perino, o mesmo que havia obrigado a CBF a devolver ao Flamengo os quatro pontos perdidos em julgamento no STJD. Neves está preparado.
– Eu vou torcer e trabalhar muito para que a liminar seja mantida. Ganhamos a primeira partida do campeonato e todos os outros empataram. É como se agora nós fossemos os líderes absolutos do campeonato, mas ainda faltam muitas rodadas. Ainda que provisória, a decisão de manter a Portuguesa na Série A é muito importante. Ficar na Série A é um título para a Lusa.  Indagado sobre o fato de o STJD ter considerado as liminares obtidas na Justiça comum um "desserviço ao futebol", o advogado diz que apenas está se cumprindo a lei. 
– Não adianta agora o STJD dizer que é um desserviço o que a Justiça comum está fazendo. É o direito, que é abstrato e subjetivo, sendo cumprido e levando a uma discussão que resolve a classificação final de um campeonato. Um soldado não pode mandar em um general. A Justiça comum está muito acima das decisões do STJD. 
Depois da liminar que obriga a CBF a devolver a Lusa à Série A, muito se falou de que a Portuguesa pode ser punida pela Fifa. A entidade que rege o futebol mundial não vê com bons olhos a iniciativa de uma decisão desportiva ser levada por um clube filiado à Justiça comum. Quanto a isso, Daniel Neves está tranquilo, pois ele assegura não ter qualquer vínculo profissional com a Lusa.
– Eu não tenho ligação alguma profissional com o clube. Sou apenas um torcedor. Eu dei sorte de ter o conhecimento jurídico, ser advogado, entrar com uma ação e conseguir a liminar. Não existe um vínculo que a Fifa possa entender como uma ação da Portuguesa. Não teria porque acontecer uma punição. 
Advogado há 16 anos e professor universitário, o mais novo torcedor ilustre da Portuguesa não vê a hora de a bola continuar rolando.
– Eu nunca tinha me envolvido com tanta paixão em um processo judicial. Já ganhei muitos processos e já perdi outros tantos. Vai ser um longo jogo e espero que eu e, consequentemente, a Portuguesa, possamos vencer no fim. 

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