sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A TRAVESSIA: Novo Ano. Novas perspectivas. Por outro lado, infelizmente, muitos levarão consigo, o peso das velhas idéias. Nesse texto, tenciono mostrar que rupturas ideológicas podem ser feitas. É preciso, apenas, o primeiro passo.

Por ANTONIO MASCARENHAS 
Com passos lentos, todavia, resolutos, aquele homem caminhava. Os raios de luz, paulatinamente, iam desaparecendo, dando lugar à penumbra de uma noite que parecia, em princípio, ser bastante longa. E ele sentia que estava levando consigo a certeza. A certeza de que, em permanecendo onde estava, fatalmente teria suas forças exauridas e seus sonhos sucumbidos em si mesmos. Pulsação tranquila, em nada denunciava a volúpia de romper e, mais que isso, soltar as amarras que o prendiam ao passado não tão distante. A proporção em que mergulhava na noite fria, suas idéias, ao contrário, pareciam cada vez mais claras. E elas brotavam, tal qual numa avalanche, de forma cada vez mais intensa. Levavam-no à análises até então nunca realizadas. Via-se crivado, de todos os lados, por conceitos, críticas que sempre ouvia de verdadeiros amigos, de familiares, de pessoas religiosas mas que, com frequência, preferia ignorar em nome de sua falsa convicção. Todavia, nesse momento, concentrado, ele não se inquietava, não esboçava qualquer atitude repressiva a todo um leque de alfinetadas. E, nessa análise, nessa depuração, seus passos continuavam céleres, numa direção que, em princípio, não sabia mas que já lhe mostrava algum discernimento. 
Já estava vislumbrando os primeiros raios do novo dia quando, finalmente, descobriu que deixou para trás todo um manto que não apenas o envolvia, mais que isso, moldava sua infeliz existência. Estava, finalmente, desnudando-se de todo um aparato que enclausurava seus passos, suas (se é que existiam) idéias e alimentava seu egoísmo, sua arrogância, seu destemor, seu falso moralismo. Posturas que o distanciavam de Deus a tal ponto de achar que seria intocável e que todos seus dotes materiais seriam eternos. Finalmente, em que pese a longa caminhada, aquele homem parecia aliviado e feliz, afinal, estava descobrindo a rainha das virtudes: a HUMILDADE. 

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